Como a música pode contribuir para turbinar sua criatividade

Como a música pode turbinar sua criatividade

O ano era 1993. Uma psicóloga chamada Frances Rauscher, da Universidade da Califórnia, convocou 36 estudantes para um experimento científico. Primeiro, o grupo ouviu uma sonata composta por Mozart. Depois, instruções de relaxamento pronunciadas por uma voz monótona. Por fim, passaram alguns minutos em ambiente silencioso. Após cada um desses três períodos, os estudantes foram submetidos a testes de raciocínio espaço-temporal.

Resultado: o desempenho da turma após a sessão musical foi consideravelmente melhor do que nas outras duas situações.

O fenômeno ficou conhecido como Efeito Mozart. Muitas concepções precipitadas surgiram ao longo do tempo – como a famosa lenda urbana que diz que a música clássica ajuda a aumentar o QI de crianças. Mas, de qualquer forma, poucos de nós contestariam a ideia de que uma boa melodia realmente causa efeitos positivos no cérebro (exceto se você gostar de Kenny G).

Albert Einstein, por exemplo, era violinista amador e tratava as composições de Mozart como grandes fontes de inspiração. Sempre que se via em uma situação profissional complicada, buscava refúgio em concertos e sinfonias. Essa era uma parte primordial da vida criativa do físico alemão.

Pois você pode fazer algo parecido. Ainda que sua rotina seja menos genial do que formular a Teoria da Relatividade enquanto chuta budas em um instrumento de cordas, você também pode aproveitar a música para aguçar seu instinto criativo.

O método

A dica é simples: antes de iniciar um trabalho, ouça algo que você imagina que poderia funcionar como “trilha sonora” do job em questão. Não importa se o que você está fazendo é um roteiro audiovisual, um texto para anúncio ou um artigo para blog. O que vale é a temática.

Se o assunto é moda, ouça música de desfile. Se é o comercial de um produto infantil, pegue a primeira coletânea da Disney que você encontrar. Para escrever uma campanha de Natal, Jingle Bells e Noite Feliz. Quando seu cliente for aquela marca de pastilhas de freio de caminhão, parta para algo que te faça pensar em viagens e estrada, seja Dire Straits ou Sula Miranda.

Baixe a programação escolhida para o seu mp3 player e coloque seus headphones – de preferência um modelo que cubra toda a orelha, mais eficiente em isolar o som e separar você do mundo exterior. Aí sim, comece a trabalhar.

Se você faz o tipo que só consegue se concentrar quando há silêncio, não tem problema: faça essa terapia musical durante uns 15 minutos, antes de botar a mão na massa. Como recurso criativo, vai funcionar do mesmo jeito.

É importante deixar clara uma coisa: ninguém está dizendo que a trilha selecionada por você aparecerá para o público. A ideia é esta seja uma técnica intimista, feita para atiçar seu cérebro, mesmo que o produto final do seu job seja uma mala direta ou um filme mudo.

Cafeína sônica

Além do estímulo criativo que a música provoca nesses casos, ela é capaz de gerar também efeitos físicos e psíquicos. É o que o pesquisador Don Campbell – autor de The Mozart Effect: Tapping the Power of Music to Heal the Body, Strengthen the Mind, and Unlock the Creative Spirit – chama de cafeína sônica.

“A música pode ser usada para ativar, estimular e relaxar a mente e o corpo”, diz Campbell. Talvez você mesmo já tenha descoberto, por experiência própria, que um rock n’roll às 3 da tarde ajuda a aliviar aquela sonolência pós-almoço. Assim como um new age faz a gente relaxar em momentos de grande estresse.

Do lado científico, há evidências de que acordes maiores e tempo musical (a “batida” da música) rápido induzem o ouvinte à alegria, enquanto acordes menores e tempo mais vagaroso tendem a despertar sentimentos de tristeza. Outro estudo mostra que nossas playlists são capazes de ativar partes do cérebro relacionadas a recompensa, motivação, emoção e excitação – as mesmas regiões associadas ao prazer ocasionado por comida, sexo e drogas.

Criatividade tem muito a ver com estado emocional. E a música tem a incrível capacidade de provocar emoções adequadas a cada momento. Não é à toa que academias e baladas tocam tunt-tunts agitados. Não é à toa que o Oscar tem uma categoria especial para premiar trilhas sonoras. Não é por acaso que os jogadores de futebol ouvem seus respectivos hinos nacionais antes de cada jogo da Copa do Mundo.

Descobrindo seu ritmo

Para que o método descrito neste artigo funcione, você vai precisar de uma certa variedade de estilos musicais. Procure ir do reggae ao heavy metal, mas dispense aquilo que você odeia, pois tortura auditiva nunca vai dar em boa coisa.

Com o tempo, além de diversificar a temática dos seus mp3, você vai descobrir quais ritmos podem ser mais úteis em quais tipos de trabalho e em quais momentos do dia.

Moderação também é altamente indicada. Passar 8 horas com seus headphones ligados sem sequer uma pausa é algo que só vai cansar sua mente. Quem escreve sabe que, às vezes, o silêncio é necessário.

Mas, se você usa a música apenas como forma de diversão, não sabe o que está perdendo. Considerando que você trabalha com criatividade e a criatividade vem do cérebro, seu trabalho pode ter muito a ver com o que você manda dos ouvidos para dentro da cabeça.

Conhece alguma música capaz de estimular sua criatividade ao máximo? Compartilhe sua dica nos comentários.

P. S.: Eu ouvi AC/DC enquanto escrevia este post.

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