As facas Ginsu e o redator que reinventou os infomerciais

Mas espere! Ainda tem mais!

Se a sua TV esteve ligada uma vez ou outra nos últimos 30 anos, você provavelmente ouviu essas palavras com uma frequência considerável. Especialmente antes de receber aquelas sensacionais ofertas de dois esfregões giratórios pelo preço de um, tudo muito bem explicadinho em comerciais com vários minutos de duração, locuções dramáticas e atores super sorridentes.

Muita gente conhece a arte, mas poucos conhecem o artista. O redator norte-americano Arthur Schiff foi o homem por trás do bordão que inicia este artigo. Além de ser um dos responsáveis por algumas das frases mais célebres do mundo da propaganda, ele ajudou a definir a fórmula básica do infomercial moderno.

A história começa na década de 70, quando Schiff é contratado pela lendária agência Dial Media. Foi lá que ele recebeu a tarefa de trabalhar no lançamento das facas domésticas Eversharp, nome que fez nosso herói torcer o nariz e passar uma noite inteira pensando em uma forma de rebatizar a marca.

Embora o produto fosse mais estadunidense que Abraham Lincoln comendo um Big Mac, Schiff achou que uma roupagem japonesa cairia bem. Você sabe, tem toda aquela história da eficiência oriental, espadas samurais que cortam até vento e tal.

O novo nome escolhido? Ginsu. Sim, as facas Ginsu, aquelas que você via em 9,5 entre 10 intervalos da TV Manchete, em meados dos anos 90.

Não foi só a indumentária oriental que fez da marca um sucesso. Nos filmes criados para promover as facas, a Dial Media passou a aplicar técnicas típicas das vendas porta-a-porta, com o  famoso discurso enfático dos vendedores de enciclopédia e uma abordagem completamente voltada para a concretização do negócio.

Foi aí que, além das clássicas imagens de japas assassinando peixes e hortaliças, surgiram ícones como:

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Calcula-se que, só entre 1978 e 1984, tenham sido vendidos mais de 2 milhões de conjuntos da Ginsu nos EUA. As propagandas tornaram-se modelos que até hoje influenciam os infomerciais vistos por bilhões de pessoas ao redor do planeta.

Arthur Schiff, por sua vez, terminou a carreira tendo escrito cerca de outros 1.800 comerciais na área do marketing de resposta direta.

Reza a lenda que Ed Valenti, patrão de Schiff na Dial Media e um dos fundadores da empresa, costumava encontrar o velho Arthur recostado numa cadeira, mãos atrás da nuca, cigarrinho na boca e o olhar perdido em algum ponto do universo que não era o escritório. Ao confrontá-lo, Valenti ouviu a resposta que não poderia ser mais condizente com um homem que se fez por suas palavras: “Você me paga para pensar. Como você acha que é a aparência de pensar?”

Não é incrível? (essa também é dele)

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