Roteiro publicitário >> Como escrever e formatar o seu

Quando comecei a trabalhar em roteiros de filmes publicitários, algumas das minhas principais dúvidas tinham a ver com a formatação. Se você fizer uma pesquisa rápida no Google, vai encontrar muitas dicas sobre como criar uma campanha eficiente, como estimular sua criatividade. Mas, quando se trata de colocar as ideias no papel de maneira clara para a produtora que vai fazer seu vídeo, a informação disponível online me parece, em geral, bastante dispersa. Sendo assim, torço para que este tutorial possa ajudar algumas almas angustiadas em início de carreira.

Roteiro publicitário >> Como escrever e formatar o seu

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que não existe uma receita única para desenvolver roteiros audiovisuais na publicidade. Já vi gente fazendo todo tipo de coisa – desde trabalhos formatados com precisão quase parnasiana, até um punhado de cenas escritas a mão numa folha de caderno. O que vou fazer aqui é apresentar algumas técnicas que funcionam para mim. E que eu espero que sejam úteis para você também.

Modelo básico vídeo/áudio

Recomendado para: filmes curtos

No cinema, é um modelo um tanto ultrapassado. Mas sua utilização na publicidade continua sendo bastante comum. Você divide a página em duas colunas, descrevendo as imagens de um lado e os sons – incluindo falas, trilha e efeitos – do outro.

Clique aqui para mais detalhes ou aqui para ver um exemplo.

Acontece que, caso o seu comercial tenha mais de 5 minutos, um roteiro elaborado desta maneira pode tornar-se bem cansativo – tanto para quem escreve, quanto para quem lê. É onde entra nosso próximo tópico.

Divisão por cenas (Master Scenes)

Recomendado para: filmes com qualquer duração e com cenas bem determinadas

É meu estilo de formatação preferido. Conhecido como Master Scenes, é também o padrão oficial do cinema. Para quem faltou a esta aula: uma nova cena começa quando muda a locação ou o cenário do filme.

Primeiro, você insere um cabeçalho para cada cena, com algumas informações básicas. Em seguida, descreve, em texto corrido, as imagens que o espectador vai ver e os efeitos sonoros que ele vai ouvir. As narrações, falas e diálogos entram logo abaixo, com um recuo em relação à margem esquerda da página.

Clique aqui e veja você mesmo, no exemplo que eu fiz com minha letra feia e nenhum direito reservado.

Para mais detalhes sobre Master Scenes, leia o tutorial do roteirista e diretor Hugo Moss, um ótimo ponto de partida para quem quer escrever nesse formato. Observe que o material trata especificamente de roteiros cinematográficos. No entando, a maior parte dele também se aplica a vídeos publicitários, que são nosso foco.

Divisão por sequências

Recomendado para: filmes com qualquer duração e com cenas generalizadas

Eu trabalho muito com marketing político. Essa á uma das áreas em que nem sempre você terá condições de descrever cena por cena ao elaborar seu roteiro. Imagine, por exemplo, que a Prefeitura de Tangamandápio encomenda a você um roteiro de um vídeo institucional para divulgar realizações na área de educação.

Será um filme bastante longo, com 15 minutos de duração. A ideia é mostrar imagens rápidas, de cerca de 3 segundos cada uma, com professores dando aula, alunos lendo seus livros, crianças merendando, tudo isso em diversas escolas. Se você for escrever um novo cabeçalho e detalhar uma nova cena a cada vez que o cenário mudar de uma escola para outra, da sala de aula para o refeitório, do portão de entrada para o parquinho… Bom, você vai terminar o trabalho quando a referida criançada tiver sua idade.

Em uma situação como essa, você pode optar por um roteiro dividido em sequências, que são conjuntos de cenas sobre um mesmo assunto. Neste caso, as cenas podem ser descritas mais superficialmente. Assim.

Ferramentas úteis

Ok. Depois de conhecer as técnicas básicas de desenvolvimento de roteiros, você quer começar a escrever. E agora? Que programa utilizar? Bom, você sempre pode contar com os bons e velhos editores de texto, à sua escolha. Ou pode partir para uma ferramenta mais específica.

Uma ótima opção é o Celtx, software gratuito que serve para criação de roteiros, storyboards, cronogramas de produção e um monte de outras coisas que fazem parte do dia a dia da de quem trabalha com criação de conteúdo audiovisual.

Também existem ferramentas online, como o Scripped, que, sinceramente, eu nunca usei. Caso você resolva fazer o teste, sinta-se convidado a voltar aqui e nos contar como foi.

Considerações finais

- Lembre-se: quando a produção estiver finalizada, seu roteiro vira nada mais que enchimento de HD. Portanto não se preocupe em escrever um texto literariamente brilhante, quando estiver descrevendo as cenas. O importante é ser claro. A equipe de produção precisa entender perfeitamente o que você quis dizer em cada frase. Nada de usar metáforas ou sinônimos espertinhos. Seja simples para ser eficiente.

- Se você mora em São Paulo, não deixe de conhecer a Oficina de Roteiro Cinematográfico do Roney Freitas e da Thais Fujinaga, que foram responsáveis por me ensinar muito do que coloquei neste artigo. Eles abrem duas turmas por semestre na Biblioteca Roberto Santos, no Alto do Ipiranga. Tudo digrátis. É claro que o conteúdo é voltado especialmente à 7ª arte, mas garanto que isso não impedirá você de aplicar muita coisa à publicidade.

- A última dica vale para gente de qualquer lugar e é um tanto clichê, porém honesta: pratique. Ao longo do tempo, você vai descobrir o jeito ideal de colocar cada elemento no seu roteiro, a melhor formatação para cada caso, os melhores meios de trabalhar em sintonia com a pessoa que vai dirigir seu filme na produtora. E tudo isso é fundamental.

Por hora, é só. Enjoy it.

Exemplos de roteiros (exceto aquele em Master Scenes) via roteirodecinema.com

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12 comentários sobre "Roteiro publicitário >> Como escrever e formatar o seu"

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